Aumento dos custos de produção no mercado interno, avanço das importações e suspeita de práticas de dumping têm reduzido a competitividade dos produtores de alho no Brasil. Segundo a Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), o alho chinês chega ao país com preço cerca de 15% inferior ao custo da produção brasileira. Além da China, a Argentina também ampliou sua presença no mercado interno, sob suspeita de práticas desleais de comércio.
Integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o deputado Ismael dos Santos (PL-SC), destacou a situação de Santa Catarina. Segundo o parlamentar, o cenário pode inviabilizar até 60% da safra de alho no estado.
“A Argentina está colocando um quilo de alho no Brasil a R$ 6. O produtor brasileiro está vendendo a R$ 11, por causa do custo. Hoje, 80% do alho produzido na Argentina vem para o Brasil. O que isso significa? Estamos colocando em risco, só em Santa Catarina, 60 mil empregos”, afirmou o deputado.
O cenário foi apresentado aos parlamentares da bancada e também ao ministro da Agricultura e Pecuária (MAPA), André de Paula, durante a reunião-almoço da FPA realizada na última terça-feira (14). A Anapa entregou um pleito com dados sobre os custos de produção no Brasil e o volume de compras vindas da China e da Argentina.
O documento pede duas ações. A primeira é a abertura de investigação antidumping sobre o alho argentino. Entre as alegações, está a de que o produto estaria entrando no Brasil fora dos padrões e classificações exigidos. “Faz-se necessária a abertura de investigação antidumping, com vistas à apuração técnica das condições de concorrência e eventual aplicação de medidas de defesa comercial”, destacou a associação.
A segunda demanda trata da medida antidumping atualmente aplicada aos fornecedores chineses. No ano passado, o governo fixou em US$ 16,90 o compromisso de preço para a importação da caixa de 10 quilos de alho da China. Desde então, o valor foi reajustado para US$ 15,80, e a Anapa alerta que, na próxima revisão, ele pode cair para US$ 15.
De acordo com o presidente da associação, Rafael Corsino, apenas o custo de produção no Brasil já supera esse valor. “Com a guerra e outros fatores, o nosso custo, que era de US$ 23 por caixa, hoje já está em US$ 24”, afirmou durante a reunião. O pleito da entidade é pela revisão do modelo adotado pelo Brasil no mecanismo de compromisso de preço aplicado ao alho chinês.
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