O agronegócio e os superávits da balança comercial brasileira



*Dilceu Sperafico

O Brasil, como sabemos e lamentamos, enfrenta grave crise política, econômica, fiscal, social e moral, mas seguramente teria dificuldades ainda maiores não fosse o desempenho excepcional do agronegócio nacional.

Prova disso é que entre os 10 produtos mais exportados pelo País no primeiro semestre de 2016, sete foram oriundos da agropecuária.

É a contribuição do agronegócio, que vai muito além do abastecimento do mercado nacional com alimentos com qualidade, diversidade, sustentabilidade e a preços acessíveis para os consumidores, pois também garante superávits na balança comercial, propiciando recursos para investimentos públicos e privados na geração de emprego, renda e bem-estar social.

Conforme dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MICS), recentemente divulgados, no primeiro semestre de 2016 o Brasil obteve superávit de 23,6 bilhões de dólares na balança comercial, graças às crescentes exportações de excedentes do agronegócio brasileiro.

O aumento das vendas externas em período de estagnação da  economia mundial, vale acrescentar, é mais um resultado da qualidade da produção agropecuária brasileira, na medida em que consegue atender as exigências cada vez maiores do mercado consumidor.

Conforme o ministério, o saldo positivo foi 10 vezes maior do que o resultado apresentado no mesmo período de 2015, quando ficou em 2,2 bilhões de dólares, em crescimento também impulsionado pela queda de 27,7% das importações do País no ano anterior.

Segundo o levantamento, no primeiro semestre de 2016 as exportações do agronegócio brasileiro garantiram ao País receitas de 41,6 bilhões de dólares, o equivalente a 46% do valor total das vendas externas.

Entre os 10 produtos com maior volume exportado, sete foram do agronegócio, somando 29,9 bilhões de dólares ou 33,2% do valor total das exportações brasileiras concretizadas no primeiro semestre do ano passado.

Entre os produtos agropecuários mais exportados, se destacou a soja em grão, com vendas de 13,9 bilhões de dólares, 11% a mais do que no período anterior.

Em seguida, apareceram o açúcar, com vendas de 3,1 bilhões de  dólares e expansão dos negócios em 19%; a celulose, 2,7 bilhões de dólares e crescimento de 7%; e a carne bovina, com exportações de 2,2 bilhões, 6% a mais do que nos primeiros seis meses de 2015.

Conforme especialistas do ministério, o quadro das exportações destaca o cenário de boas oportunidades para o agronegócio do País, devido à qualidade dos produtos agropecuários brasileiros, à expansão da demanda internacional por alimentos e ao câmbio favorável.

Com esse desempenho do setor agroindustrial em 2016, pois as exportações abrangem a venda de grãos, farelo, óleo, carnes e derivados, o agronegócio nacional consolidou ainda mais a sua condição de elemento chave para a melhoria do desempenho da balança comercial do País.

Apesar do resultado positivo no saldo da balança comercial do País, é preciso reconhecer que o comércio externo brasileiro vem apresentando forte desaceleração nos últimos anos.

Conforme os dados levantados, no primeiro semestre de 2016 foi registrada queda de 29,6 bilhões de dólares no montante do comércio exterior do Brasil, com retração de 4,3% no volume total das exportações, o que precisa ser levado em consideração no esforço pela retomada desenvolvimento nacional, o que será facilitado pela força da cadeia produtiva do agronegócio.

 

*O autor é deputado federal pelo Paraná

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