Aos índios brasileiros terra ou dignidade?



Depois de participar de tantos fóruns para debater a questão indígena no Brasil, mais uma vez, fica claro que a FUNAI, as Organizações não Governamentais e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) – órgão ligado à igreja Católica, estão longe de representar o que realmente a maioria dos índios deseja. O problema da etnia não é a quantidade de terra, pois, ela por si só não resgata a cultura dessa população. Mas, fica claro, quando o próprio índio se manifesta nestes debates ele diz que o que ele quer é dignidade.

As áreas já demarcadas em reservas indígenas, atualmente, correspondem a 13% do território nacional. Por outro lado, a FUNAI afirma que são necessárias as ampliações das reservas – indo para 24% do território nacional. Segundo a mesma, aumentando as terras da etnia, os índios terão mais dignidade e vão tirar das propriedades o seu sustento. Entretanto, os indígenas afirmam que querem outros direitos como o de progredir, comer bem e estudar. Talvez fosse interessante a FUNAI questioná-los, perguntar aos índios o que eles realmente desejam.

Agora o que não dá para aceitar é ver os índios serem manipulados de forma absurda como está acontecendo no Brasil. Quando percorremos as reservas indígenas, reparamos o retrato da pobreza: índios escravizados em suas reservas e em situações desumanas. Desta forma, o que se percebe é que nas reservas demarcadas pelo governo, o índio é entregue a própria sorte. É como se ao receber a terra ou ampliar a sua reserva ficasse garantido à etnia títulos de prosperidade e de dignidade.

Pude ouvir de representantes do CIMI que eles têm foco nos latifúndios improdutivos. Na verdade, o maior latifúndio improdutivo do mundo são as reservas indígenas brasileiras, pois elas não conseguem produzir nada. Milhões de hectares, onde os índios dependem de uma cesta básica do governo para sobreviver. Assim o que vemos é: indígenas mendigando por terras para sobreviver nas cidades ou nas fazendas vizinhas.

O Conselho Indigenista Missionário diz que quer preservar o direito dos índios, mas é muito estranho ver a igreja Católica lutando pela desapropriação de terras de pequenos agricultores – como se apenas índios tivessem o direito garantido no Brasil. Todos brasileiros são originários de diversas etnias, formando um só país, assim, sejam índios ou não índios somos todos colonizadores do Brasil.

Entendo o quanto este assunto é polêmico, mas o grande problema no Brasil é a incapacidade do governo de resolver estas questões conflitantes, seja na área ambiental, indígena ou trabalhista. É triste ver a incapacidade do Governo normatizar e colocar um ponto final nas questões conflitantes. Esses problemas fazem com que o Brasil perca muito, e o que é pior, o governo demonstra não saber o que quer. E, infelizmente, sua omissão vai gerar e tem gerado tragédias no campo.

Agora, é preciso que se respondam algumas questões: Hoje, a sociedade brasileira está pronta para abrir mão de grande parte de suas terras produtivas? O Brasil pode reduzir sua produção agrícola ou no mínimo não crescer? Qual o limite de área necessário a um índio? O que os índios realmente querem? A terra é significado de preservação de cultura? Não temos todas essas respostas, mas comparando a situação brasileira com a de países ditos desenvolvidos, os índios no exterior têm o direito de preservarem seus cemitérios, seus sítios arqueológicos. Porém, sem dúvida eles são incentivados a explorarem suas terras e a estudar.  Nos EUA os índios vivem com dignidade e são orgulhosos de sua tradição, assim como os brasileiros nordestinos e gaúchos, por exemplo. Acredito que as tradições e culturas fortalecem a nação e elas jamais serão sinônimas de ignorância e de pobreza.

Se formos demarcar as terras onde os índios viviam, acredito que teríamos que desocupar o Brasil. Inclusive, no segundo Fórum do Projeto Soja Brasil 2013, que aconteceu em Esteio (RS), o representante da FUNAI no estado,  foi questionado se ele tinha casa própria, ele respondeu que sim. Depois, indagaram-no se ele sabia se a sua casa estava ou não em uma área de reserva indígena e ele respondeu que não sabia. Desta forma, concluímos que o bom lote dele não era dos índios, mas o resto do Brasil sim.

Eu como Brasileiro, fico indignado ao ver a incapacidade do estado de ser soberano.  Produtores são subjugados por interesses internacionais revestidos por interesses e ideologias de ONGs, do CIMI e da FUNAI. A sociedade brasileira intrusa e estrangeira está manipulada por um falso protecionismo aos índios, e esses que na verdade querem é ser brasileiros e terem direito à dignidade e ao progresso. E, se você quiser entender o que digo, basta ir numa tribo e perguntar aos índio o que eles querem, mas detalhe, não  adianta ir levado por ONGs.

*Glauber Silveira – presidente da Aprosoja Brasil

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