Os custos em vidas humanos da contaminação do ar



Dilceu Sperafico*

Os radicais que acusam o agronegócio pelo desequilíbrio ambiental do País e do mundo, ignorando todos os benefícios da atividade produtiva para a sobrevivência da humanidade, além preservação de flora e fauna, deveriam buscar mais informações e avaliar melhor os males causados pelas áreas urbanas.

Com a migração da maioria da população rural para as cidades,  conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), nada menos do que  92% dos seres humanos respiram ar inadequado ou contaminado por substâncias nocivas à saúde.

Relatório recente do organismo destaca que a população atingida pela poluição vive em locais onde a qualidade do ar não se enquadra nos padrões estabelecidos pela própria OMS.

Para dimensionar melhor a gravidade da situação, outro estudo ressalta que mortes causadas por doenças provocadas pela poluição atmosférica custam à economia mundial cerca de 225 bilhões de dólares por ano, considerando as perdas de rendimento de trabalho e despesas com o tratamento de enfermos.

A pesquisa foi encomendada pelo Banco Mundial e Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde, concluindo que a poluição do ar pode estar causando cerca de 5,5 milhões de mortes anuais.

Já especialistas da OMS estimam as mortes anuais causadas pela poluição em cerca de três milhões, em sua maioria relacionadas à  exposição das mais conhecidas formas de contaminação do ar.

Outro levantamento da OMS aponta que são cerca de 6,5 milhões as mortes anuais ligadas à contaminação do ar em todo o mundo, equivalentes a 11,6% do total.

As mortes, segundo os especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU), são provocadas em sua maioria por doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, pneumopatia obstrutiva crônica e câncer de pulmão, além da contaminação do ar também aumentar o risco de infecções respiratórias agudas.

Cerca de 90% destas mortes, segundo a ONU, ocorrem em países de renda média ou baixa.

O relatório da OMS se baseou em dados de mais de três mil localidades rurais e urbanas, conclui que a grande maioria da população mundial está em áreas onde os níveis da qualidade do ar não correspondem ao padrão de qualidade da própria organização.

Entre as maiores preocupações estão partículas finas em suspensão, com contaminantes como os sulfatos, os nitratos e a fuligem, que penetram profundamente nos pulmões e no sistema cardiovascular, com riscos graves para a saúde das pessoas.

Alguns dos principais causadores da má qualidade do ar são sistemas ineficientes de transporte, queima de combustíveis e rejeitos, atividades industriais e fenômenos naturais, como estiagens, enchentes e tempestades de areia.

Em diversos países, as mudanças climáticas também aumentaram a contaminação do ar e conforme a OMS, é necessária e urgente a adoção de medidas capazes de enfrentar essa tendência.

Entre as soluções apontadas estão implantação de transporte coletivo sustentável nas cidades, gestão competente dos rejeitos sólidos, utilização de combustíveis limpos nos carros individuais, uso de energias renováveis e redução de emissões industriais.

Conforme especialistas, a elaboração e divulgação de diversos estudos sobre a contaminação da atmosfera, reforçam a esperança de  mobilização de governos, empresas, entidades e cidadãos por mais  esforços pela redução da contaminação do ar, em todo o planeta.

Até porque, o principal objetivo da OMS para 2030 é a diminuição de mortes e ameaças da poluição do ar.

 

*O autor é deputado federal pelo Paraná

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