Para o café, o melhor estímulo é o preço, diz Melles



Foi em Londres, dias atrás, durante o 6º Fórum Consultivo sobre financiamento do setor cafeeiro, que o deputado Carlos Melles (DEM/MG), intransigente defensor da cadeia produtiva do café, fez este desabafo: “o problema é o preço internacional do café. O produtor está asfixiado nesses últimos dez, quinze anos, com relação ao preço e aumento dos custos de produção. Eu diria que a Organização Internacional do Café (OIC) e o mundo precisam de um choque de realidade com relação ao café. ”.

Membro da FPA, Melles citou dados sobre os elevados custos de produção da cultura. “Só para vocês terem uma ideia sobre o descompasso e o descuido que se verificam no Brasil. Enquanto o salário mínimo de 1994 (ano do plano real) até 2014 cresceu 1.400%; a mão-de-obra, os combustíveis cresceram 871%, os insumos e adubos cresceram mais de 700% e o preço do café apenas 261%. Não precisa dizer mais nada. Então se se quer aumentar a produtividade de café e a produção de café no mundo é preço, deem preço justo aos produtores, não existe preço justo num mercado livre como esse”.

– Nós fizemos um programa de renovação no Brasil de 68, 69, 70 anos até agora e vimos experimentando esse processo, evoluímos muito, acontece que o melhor estimulo é o preço, o mercado sabe que o café hoje poderia estar normalmente em 50 dólares ou mais a saca. No entanto, o mercado reprime e ao reprimir não dá conta que uma cultura perene é desestimulada, e pela primeira vez ouvi falar tanto em produtor de café aqui dentro da OIC, não se ouvia essa preocupação com o produtor, mas não é com o produtor, é com a produção, é com o risco do desabastecimento.

O deputado mineiro foi incisivo ao dizer que “não queremos subsídios, é diferente, não queremos acordo de novo de cotas, mas queremos mercado pelo menos mais justo, fair trade, certificação, tudo conversa, eu diria assim, ilusionaria, não traz benefício ao produtor. Eu pessoalmente tenho cinco certificações de café, isso não melhorou a nossa vida, ganhamos concursos internacionais, não melhorou, o problema é o preço internacional do café”.

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