A vida no campo e a qualidade do ar das cidades



Dilceu Sperafico*

Não por acaso cada vez mais pessoas estão se mantendo, planejando e/ou procurando morar em áreas ou comunidades rurais, apesar da falta de estrutura, de conforto, de serviços e de segurança pública nessas localidades.

A tranqüilidade, sossego, tradição familiar e até apelos ecológicos da vida no campo, tão exaltados no passado, não são mais os mesmos, como demonstram os seguidos registros de ataques às famílias e outros males dos tempos modernos, mas certamente a insegurança não se restringe à área rural.

Nas cidades, como sabemos, as dificuldades, violências e maldades, lamentavelmente são ainda maiores, mais constantes e com resultados ainda mais trágicos e assustadores.

Conforme estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), entre as grandes preocupações da população urbana da atualidade está a péssima qualidade do ar na maioria das cidades de todo o planeta, especialmente nos centros de médio e grande porte.

Riad, Nova Déli, Cairo e Pequim seriam as cidades com ar mais poluído do mundo, aumentando sensivelmente riscos de acidentes vasculares cerebrais (AVCs), câncer de pulmão e outras doenças respiratórias.

Tais enfermidades já estariam causando mais de seis milhões de mortes por ano, incluindo mais de 15% de vítimas de câncer.

Segundo o estudo, cerca de 80% dos moradores de áreas urbanas estão expostos a níveis de contaminação do ar acima de limites estabelecidos pela OMS, com os riscos decorrentes desta situação.

Para piorar ainda mais o quadro, apesar da falta de qualidade do ar afetar cidades de todas as regiões do mundo, os habitantes de localidades de baixa renda são os que mais sofrem conseqüências da poluição e deterioração dos recursos naturais.

Conforme o levantamento, 98% das cidades com mais de 100 mil habitantes em países em desenvolvimento não respeitam normas da OMS sobre a qualidade do ar. Já entre os países desenvolvidos, o percentual cai para 56%.

Na maioria dos casos, a contaminação do ar se deve às concentrações elevadas de pequenas e finas partículas de poluentes, contendo sulfato, nitratos e carbono negro, que representam o principal risco ambiental para a saúde humana e animal.

Somente as mortes prematuras causadas por  AVCs, cardiopatia,  câncer de pulmão e doenças respiratórias agudas, especialmente a asma, decorrentes da poluição atmosférica, somariam mais de três milhões anuais no planeta, atingindo principalmente as populações urbanas mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas mais pobres, segundo a OMS.

Os especialistas que analisaram níveis de poluição em 795 cidades de 67 países, destacam que os padrões de contaminação nas áreas urbanas se elevaram 8%  entre os anos 2008 e 2013.

Os níveis mais elevados foram detectados em países mais pobres, com padrões de contaminação anuais médios de cinco a 10 vezes superiores aos limites estabelecidos pela OMS.

Para deter a poluição e melhorar a qualidade do ar, a OMS e a própria Organização das Nações Unidades (ONU), recomendam a limitação de emissões de resíduos industriais, o aumento do uso de energias renováveis e a garantia de prioridade de investimentos públicos ao transporte coletivo e implantação de ciclovias.

Para o nosso alívio, apesar do crescimento da agroindústria, as cidades do Oeste e de todo o Paraná ainda não apresentam índices tão graves de contaminação do ar, mas precisamos nos manter atentos a este risco ambiental.

*O autor é deputado federal pelo Paraná

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