Entre o remédio e o veneno, a diferença está na dose



Ninguém nega. Aliás, não tem como negar que o uso indiscriminado, repetimos, indiscriminado, de agrotóxicos tem resultado em intoxicações, em diferentes graus, de agricultores e de consumidores. No caso da agricultura, as doses de agrotóxicos são planejadas para matar insetos e não gente com peso milhares de vezes maiores que o de um ofensivo inseto.

A verdade é que na química, parafraseando Paracelso, um famoso médico e alquimista alemão da época da Renascença, a “dose faz o veneno”. Ou seja, tudo depende de quanto se ingere de um produto, seja químico ou alimento. Até a água bebida em demasia faz mal.

Certo é que cada ano que passa o desenvolvimento de uma agricultura menos agressiva para pessoas e para o meio ambiente se pratica por esse Brasil adentro.

É conveniente lembrar aqui o sofrido personagem Jeca Tatu encontrado nas páginas dos livros de Monteiro Lobato ou em antigas edições do almanaque do Biotônico Fontoura. Ganha um prêmio (bombom) quem encontrar em nossos campos um personagem parecido com ele, com o mesmo falatório, o mesmo comportamento e as mesmas práticas, como tentou demonstrar uma Escola de Samba nesse Carnaval.

Por esse Brasil afora, hoje em dia, pratica-se uma agricultura moderna, que emprega uma tecnologia inovadora, capaz de reduzir a utilização de defensivos agrícolas com a adoção de eficientes formas de combate a insetos, pragas, doenças e que colhe crescentes índices de produtividade.  E isso tem incomodado muita gente. Aliás, sempre que o Brasil anuncia seus recordes nesse setor aparece um “ativista” a nos desafiar.

Notoriamente, os agricultores são orientados a produzir causando o mínimo possível de impacto ao ambiente. É o que se convencionou denominar de Sustentabilidade – econômica e ecológica do ecossistema.

É impossível produzir alimentos livres de agroquímicos numa agricultura tropical. Afinal, o que é Agricultura Tropical. É aquela agricultura praticada em clima predominantemente quente e úmido, é o nosso caso, que favorece a proliferação de pragas e doenças, bem diferente da agricultura de clima temperado, como o da Europa, Estados Unidos e outras regiões, onde em determinado período do ano tudo é gelo. Um controle natural e fantástico das pragas e doenças.

Uma coisa é certa: renomados agrônomos afirmam em alto e bom tom que é difícil imaginar a safra brasileira de alimentos – de 210 milhões de toneladas – que colhemos sem esse tipo de assistência ou tecnologia; em outras palavras, sem uso dos agroquímicos (os remédios das plantas).  Se assim não fosse, nossa produção de alimentos desabaria drasticamente. Alguém quer pagar pra ver?

E para finalizar, a palavra de quem entende muito do assunto, o médico toxicologista Ângelo Zanaga Trapé, professor-doutor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas (Unicamp), dita em entrevista à Rádio CBN, em 24.06.2010: “Tenho 30 anos de trabalho em clínica pública de saúde e, em todos esses anos, jamais detectei um caso de intoxicação alimentar por essas substâncias”, afirma ele.

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