Colatto defende uso de aviões agrícolas no combate ao mosquito aedes aegypti



Santa Catarina 11/2/2016 – O deputado federal Valdir (PMDB/SC), membro da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), aguarda sensibilidade dos Ministérios da Saúde e da Agricultura para levar adiante a proposta de utilização de aviões agrícolas na distribuição de inseticidas em áreas problemáticas para combater o mosquito da dengue no país. A proposta foi encaminhada pelo parlamentar ao governo federal em dezembro e Colatto lamenta que o assunto de extrema importância, ainda encontre resistência.

“Precisamos que o governo ouça os técnicos da área, as empresas de aviação e de defensivos para uma ação mais abrangente e emergencial”, disse Colatto que é engenheiro agrônomo. A resistência é das autoridades que coordenam o Programa Nacional de Controle da Dengue.

Junto com o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Colatto apresentou análises técnicas e estudos sobre a eficácia da medida que utiliza aviões agrícolas para pulverizar defensivos nos chamados fumacês aéreos na área urbana e rural. “Estamos em alerta e buscando alternativas, para isso precisamos no mínimo de receptividade para análise da proposta”, reclamou. Colatto considera a experiência do também colega, engenheiro agrônomo Eduardo Cordeiro de Araújo, que atuou na operação experimental exitosa contra o surto de encefalite na Baixada Santista.  O deputado federal apresentou neste mês de fevereiro, proposta de emenda à Medida Provisória (MP) 712/2016, incluindo a possibilidade de aviões fazerem a aplicação de inseticidas contra o mosquito Aedes aegypti.

O chamado Fumacê foi experiência utilizada com êxito, no ano de 1975, na eliminação de focos de mosquitos Culex na região da Baixada Santista, em São Paulo, quando, na época, a estratégia acabou com um surto de encefalite que assolava municípios como Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe. O uso de aviões para combate a mosquitos é comum também nos Estados Unidos e em países da América Latina, como o México.

Para Colatto, enquanto a atuação em terra contra o mosquito for pontual e se aguarde que as campanhas nacionais surtam efeito, o Brasil amargará o surto de dengue, que se transformou num dos principais problemas de saúde pública no Brasil, declarada emergência global pelo Zika vírus.

O Brasil encerrou o ano de 2015 registrando mais de 1,5 milhão de casos de dengue no ano, e com o risco também da Chikungunya, do vírus Zika e agora da febre da floresta. Em Santa Catarina, dados apontaram 3.605 casos de dengue em 2015.

QUESTÕES TÉCNICAS

O Brasil tem a segunda maior frota aeroagrícola do mundo, com mais de dois mil aviões. A ideia do Sindag é aplicar pelo ar os mesmos inseticidas hoje usados nos equipamentos terrestres (os chamados fumacês), com vantagens como maior abrangência (fundos de terrenos baldios e outros pontos inacessíveis pelas equipes terrestres) e velocidade. Os produtos seriam aplicados na técnica de Ultrabaixo Volume (UBV), na proporção de 400 ml por quarteirão (cerca de um hectare).

 Por que a aviação agrícola pode ajudar no combate ao mosquito da dengue:

– Experiência piloto bem sucedida em SP, no ano de 1975, para combater um surto de encefalite na Baixada Santista. Não houve prejuízo à população, nem a fauna e flora;

– Redução do mosquito Aedes aegypti e redução das doenças;

– A aplicação aérea de inseticida é recomendada em caso de epidemias severas para aumentar a taxa de mortalidade diária do mosquito Aedes aegypti e rebaixar a população de insetos adultos;

–  Não afeta animais, pessoas e vegetação. Os inseticidas são os mesmos aplicados em lavouras em doses recomendadas, do contrário todos estariam intoxicados por estes produtos químicos/ defensivos usados nas plantações. 

– Possibilidade do uso de inseticidas químicos e ou biológicos;

– Atuação na área peridomiciliar, com alcance das áreas inacessíveis ao tratamento terrestre;

– A aplicação aérea, por sua rapidez e amplitude da área tratada, sem perdas por evaporação, não permite aos mosquitos adultos a fuga nas áreas de tratamento, diferente das aplicações com equipamentos convencionais;

– Trabalhos técnicos conduzidos pelos mesmos órgãos que trabalharam no combate do surto de encefalite em SP apontam eficácia  na aplicação aérea de inseticidas no gênero Aedes;

– Estudos demonstraram de 94% a 100% de mortalidade do mosquito em situação intradomiciliar, quando deixadas as janelas e portas abertas no momento da aplicação aérea;

– Não há efeito nocivo, ou seja, sem efeito residual que possa vir a afetar outros insetos ou vegetação;

– Trata-se de uma atividade complementar de extrema eficiência e não exclui os métodos convencionais.

– Necessidade urgente de medidas adicionais ao controle do mosquito, considerando o surto epidêmico de grande magnitude no país;

 

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