Frente Parlamentar em Defesa do Pescado quer ampliar participação do Brasil no mercado mundial





Colegiado foi lançado na noite dessa terça-feira (4), com a presença da ministra da Agricultura, Tereza Cristina

Transformar o Brasil em um player mundial no pescado e aumentar as exportações do produto. Esse é o principal objetivo da Frente Parlamentar em Defesa do Pescado, criada nessa terça-feira (4), em Brasília. Com 211 parlamentares, o colegiado é presidido pelo deputado federal Luiz Nishimori (PL-PR).

De acordo com ele, o pescado é a proteína animal mais consumida no planeta, e o Brasil ainda tem uma participação modesta nesse mercado mundial. “Com mais de oito mil quilômetros de costa e possuindo 12% de toda a água doce disponível no mundo, o Brasil tem recursos abundantes tanto para a pesca quanto para a produção de peixe”, afirmou.

O presidente da nova Frente afirmou que o setor pesqueiro pode gerar ainda mais emprego e renda para a população, influenciando outros setores da economia. “Para isso, precisamos de políticas públicas eficientes e incentivos. Ainda há muita burocratização e morosidade nos processos de fiscalização e liberação para produção, abate e venda dos pescados”.

Deputado Luiz Nishimori (PL-PR)

Nishimori apresentou os números do setor em 2018, quando o país produziu mais de 722 mil toneladas de peixes de cultivo, com faturamento de R$ 5 bilhões. “Infelizmente, o brasileiro consome menos de dez quilos de peixe por ano. Precisamos trabalhar para mudar esses hábitos alimentares e atingir os patamares indicados pela Organização Mundial da Saúde”.

A questão da importação também foi destacada pelo parlamentar. “Nós importamos cerca de 60% de todo o peixe consumido no país, e não podemos mais comprar toda essa quantidade. Vamos elevar a pesca e a aquicultura, assim como fizemos com nossa agricultura que, há 40 anos, era mera importadora, mas com vários incentivos, financiamentos, tecnologia e o esforço dos agricultores e pecuaristas e se transformou em um dos países que mais exportam alimentos no mundo”.

Para o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Alceu Moreira (MDB-RS), que também é membro da nova Frente, a pesca é uma matriz econômica absolutamente subutilizada no Brasil. “Tenho certeza que essa Frente vai inaugurar um novo tempo para a pesca brasileira.  Precisamos, no Congresso, com a ajuda do ministério da Agricultura, criar uma política nacional de pesca”.

Segundo ele, os parlamentares têm condição de fazer a harmonização do processo legislativo, criando um instrumento legal capaz de permitir que o país, que no caso da pesca em mar aberto não consegue produzir 2% de sua capacidade, atinja novos mercados, tornando-se um grande produtor e consumidor de pescado.

Ministra da Agricultura, Tereza Cristina

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, que participou do lançamento, afirmou que a pesca, nos últimos tempos, ficou relegada a quinto plano no Brasil. “Hoje tenho muita satisfação de ela ter vindo para o Ministério da Agricultura, lugar de onde nunca deveria ter saído”.

Para ela, a nova Frente será o fórum para os grandes debates que precisam ser enfrentados para se fazer uma política nacional de pesca e de aquicultura. “E aproveito para dar uma ótima notícia. A pesca e a aquicultura foram contempladas neste Plano Safra, que será lançado dia 12. Antes não havia previsão de recursos para essas atividades”.

O lançamento contou ainda com a participação do secretário de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Jorge Seif Júnior; do presidente da Câmara Setorial da Produção e Indústria de Pescados e presidente da ABIPESCA, Eduardo Lobo; do presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão, Cristiano Maia; do presidente do Sindicato dos Armadores e Indústrias de Pesca de Itajaí e Região, Jorge Neves; e de parlamentares.

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