A preservação ambiental do agronegócio brasileiro



Dilceu Sperafico*

Demorou um pouco, é bom destacar, mas finalmente a respeitada Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), está reconhecendo, de forma contundente, a contribuição do agronegócio para a preservação dos recursos naturais do País e do planeta.

Conforme levantamento inédito da instituição, recentemente divulgado, as áreas de matas nativas preservadas por produtores rurais brasileiros, somam 25% do território nacional e equivalem a 3,1 trilhões de reais em patrimônio imobilizado.

Segundo dirigentes da Embrapa, já se sabia da participação de agricultores na preservação ambiental, até porque exercem atividade econômica a céu aberto, sempre exposta às adversidades climáticas, mas não havia informação precisa sobre o volume dessa colaboração.

Para avaliar corretamente a situação, foram levantados dados de todo o território nacional, constatando que não há outro país no mundo onde o setor agropecuário destine patrimônio e recursos semelhantes à preservação ambiental, como o Brasil.

Com isso, a Embrapa comprovou que o agronegócio brasileiro não se destaca apenas pelo volume, qualidade e diversidade da produção e exportação de alimentos, mas também pela sustentabilidade de todas as atividades agropecuárias.

O levantamento foi possível com a implantação do Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SICAR), com registro público de todos os imóveis rurais, identificando áreas de preservação permanente, uso restrito, reservas legais, florestas cultivadas e outros espaços de vegetação nativa.

A partir do cadastro, o governo espera aumentar o controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento irregular. Isso porque ao registrar as propriedades no Cadastro Ambiental Rural (CAR), o produtor atualiza informações como o mesmo cuidado de declaração de imposto de renda, ao informar sobre imóveis, detalhando valores, localizações e limites.

Conforme a Embrapa, até janeiro deste ano, 4,8 milhões de produtores rurais de todo o País já haviam formalizado seus cadastros, o equivalente a 94% dos imóveis registrados no Censo Agropecuário de 2006, com informações confirmadas por imagens de satélite.

Com o uso da moderna tecnologia, segundo especialistas, o mapeamento é preciso e detalhado, destacando nascentes, extensão e largura de rios e riachos, tipos de vegetação e todas as áreas de matas preservadas.

O CAR considerou, inclusive, reservas extrativistas e áreas de agricultores com posse ou ocupação ainda não formalizada pela regularização fundiária, mas exploradas com a agropecuária praticada em todo o País.

Dessa forma, a Embrapa calculou até mesmo a elevação das receitas do agronegócio com a exploração de reservas legais, sem qualquer incentivo ao aumento do desmatamento, mas como avaliação da contribuição financeira da agropecuária para a preservação ambiental.

Com a expectativa da produção agropecuária brasileira crescer 30% e a área cultivada apenas 15%, ao longo da próxima década, o setor tem grandes desafios relativos à produtividade, sustentabilidade, geração de riquezas e segurança ambiental.

São temas que deverão ser debatidos por produtores, dirigentes de cooperativas e entidades do agronegócio e futuros governantes e legisladores, visando a definição de projetos de médio e longo prazos destinados a impulsionar a agropecuária brasileira, sem prejuízos para o meio ambiente.

*O autor é deputado federal pelo Paraná

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