FPA cobra providência da ANP sobre alta de combustíveis



Parlamentares criticaram aumento: produtividade e exportações do setor agropecuário brasileiro estão em xeque

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) recebeu nesta terça-feira (22) representantes da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para debater a constante alta no preço dos combustíveis no país, com impacto direto em toda cadeia produtiva do setor agropecuário. Bancada vai se reunir com os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia) para tratar do assunto ainda hoje.

Entidades que representam o setor produtivo nacional estiveram no encontro e alertaram sobre a grave crise pela qual o setor passa, tanto pela alta dos preços dos combustíveis quanto pelas greves de caminhoneiros que impossibilitam o transporte dos produtos agropecuários. O vice-presidente da FPA, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), afirmou que a situação é tão grave que uma solução deve ser tomada nos próximos dias e não daqui a meses. “Precisamos encontrar uma alternativa que pare nos próximos dois dias com as paralisações. A Petrobras anunciou hoje que vai baixar os preços. Vamos aguardar o impacto”, disse.

Para os deputados Zé Silva (SD-MG) e Valdir Colatto (MDB-SC), os entraves e preocupações demonstrados vem deixando a atividade em uma situação cada vez mais alarmante em todos os elos da cadeia produtiva nacional em relação à logística e capacidade de produção.

“Faremos o possível para resolver isso hoje e conter as greves”, disse o deputado Valdir Colatto.

Segundo Valdir Colatto, no Estado de Santa Catarina os caminhoneiros estão sendo impedidos de transitar com as mercadorias por conta das paralisações. “Isso se reflete também em outros estados, como Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Pará. É uma crise de desabastecimento generalizada”, destacou o parlamentar. Para ele, a política de biocombustível atual não está avaliando as consequências econômicas e sociais que os reajustes nos últimos meses trouxeram ao país. “Faremos o possível para resolver isso hoje e conter as greves”, disse Colatto.

Para o deputado Adilton Sachetti (PRB-MT), uma das soluções está no aumento expressivo do uso do biodiesel no país, que ainda segue a passos lentos. “Por que não avançamos nas misturas de óleo diesel com biodiesel? Isso vai beneficiar o produtor, o consumidor e o país com a redução do valor do diesel”, afirmou Sachetti.

O diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Marcio Maciel, afirmou que a soja só embarcou 30% de sua supersafra até agora. “A alta do preço do diesel se dá principalmente na alta carga de impostos em cima dos combustíveis no Brasil”, destacou o diretor.

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores do Leite (Abraleite), muitos produtores estão com dificuldades em vários estados para transportar o produto que é altamente perecível. A Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) afirmou que é necessário criar um mecanismo de proteção ao consumidor final e às cadeias produtivas que não têm a capacidade de absorver essa variação do preço de combustível.

Encerrando a reunião, o diretor da ANP, Felipe Kury, afirmou que a agência monitora de perto a oscilação no preço dos combustíveis que vem acontecendo neste ano, bem como seus desdobramentos em toda a atividade econômica do país, que perde em competitividade e produtividade.

“A alta carga tributária que desencadeia os preços altos dos combustíveis no Brasil prejudica os investimentos no país, além de gerar cenários de concorrência desleais frente a outros mercados internacionais que também perdem o interesse de investir aqui”, ressaltou Kury. Para ele, a regulamentação do setor de biodiesel, por meio da RenovaBio, trará liquidez ao mercado.

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