A devastação de florestas no Brasil e no mundo



Dilceu Sperafico*

A devastação de florestas nativas, com as mais diferentes finalidades, está muito distante de ser ação predatória restrita à população brasileira.

Muito pelo contrário, pois o País preserva nada menos do que 68% de seu território, com dimensões continentais, em matas originais intocadas, parques florestais e reservas indígenas.

Somente 32% são ocupados com atividades produtivas, como pastagens, agricultura ou áreas urbanas.

No restante do planeta, apenas pequenas áreas desabitadas, como ilhas ou regiões montanhosas, tiveram percentual preservado semelhante.

Prova disso é que as florestas intactas no mundo foram reduzidas em 7,2% entre os anos de 2000 e 2013, apesar de toda a pregação preservacionista de organizações ambientalistas, especialmente nos países desenvolvidos.

Os números foram apurados em estudo de especialistas, publicado pela respeitada revista científica  “Science Advances”, em edição de janeiro último.

O levantamento foi coordenado pelo professor de geografia da Universidade de Maryland, dos Estados Unidos, Peter Potapov, cuja equipe se baseou em imagens de satélites da empresa Google Earth e dados oficiais de governos, para dimensionar as novas áreas desmatadas no planeta, ao longo dos últimos anos.

Conforme o estudo, no período citado, as novas áreas desmatadas somaram 919 mil quilômetros quadrados, de terrenos formados por ecossistemas florestais nativos.

As regiões tropicais foram responsáveis por 60% do desmate em áreas até então intactas da paisagem florestal, enquanto 21% das perdas de matas ocorreram em terras boreais e 19% foram registrados ao Norte desses territórios, na Europa, Ásia e América do Norte.

Conforme os especialistas, mais da metade da devastação identificada, se concentrou em apenas três países. A liderança ficou com a Rússia, onde o desmate somou 179 mil quilômetros quadrados.

No Brasil, o desmatamento atingiu 157 mil quilômetros quadrados e no Canadá, 142 mil quilômetros quadrados. Tais números mostram claramente a injustiça sofrida pelo agronegócio brasileiro, acusado de devastação de florestas e contribuição para o aquecimento global, com os conhecidos problemas para a humanidade e espécies animais e vegetais.

O Brasil, que vem expandindo sua produção de alimentos e matérias-primas, colaborando para o combate à fome e miséria do mundo inteiro, desmatou menos da metade da área devastadas na Rússia e Canadá, ambos os países com extensas áreas montanhosas e cobertas de neve em boa parte do ano, sem qualquer atividade agropecuária.

O próprio estudou comprovou esse diferencial, destacando que as principais causas do desmatamento foram a extração de madeira, em 37% das áreas atingidas e a propagação dos incêndios florestais, em mais de 21% do total.

Outras causas foram a construção de rotas para a exploração mineral, extração de petróleo, gasodutos e linhas elétricas, além da expansão da rede de estradas.

A expansão agrícola resultou no desmatamento de 27%, compensando eventuais perdas ambientais com a produção de alimentos para o ser humano.

As paisagens florestais preservadas são fundamentais para o bem-estar e até a sobrevivência da espécie humana, na medida em que armazenam o carbono terrestre e garantem habitats naturais para animais silvestres.

Se as áreas florestais nativas continuarem sendo devastadas na proporção do período analisado, pelo menos 19 países perderão toda sua floresta natural ao longo dos próximos 60 anos.

*O autor é deputado federal pelo Paraná

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