A bonita história do agronegócio de Toledo



Dilceu Sperafico*

O desempenho, incluindo produção, produtividade e rentabilidade do agronegócio não depende apenas de tradição e vocação do agricultor. Como atividade econômica a céu aberto, a agropecuária está sempre exposta às adversidades climáticas, como estiagens, enchentes, temporais de granizo e vendavais.

Além disso, até mesmo as colheitas recordes podem acabar comprometidas pelas oscilações do mercado e a falta de estrutura de armazenagem, beneficiamento e escoamento da produção até os centros consumidores, pólos industriais e portos de exportação.

O agronegócio, ainda também depende de fatores externos da propriedade rural e fora do controle do agricultor, como a disponibilidade de recursos para o crédito rural e demanda local, regional, nacional e internacional de alimentos.

Mesmo assim, todos colhem somente o que plantam. O que pode variar são o volume e qualidade frutos de cuidados na escolha e preparo do solo, seleção de sementes, uso de fertilizantes, corretivos e defensivos e tratos culturais, desde o plantio até a colheita.

Esses fatos nos mostram que Toledo, no Oeste do Estado, não chegou à condição de um dos maiores produtores agropecuários do País por acaso, golpe de sorte ou algum empreendimento individual.

O município detém o maior Valor Bruto da Produção Agropecuário (VBPA), do Paraná, graças fatores positivos e iniciativas inovadoras, desde antes de sua colonização, nos anos 40 do século passado, quando grupo de empresários gaúchos criou a Industrial Madeireira Colonizadora Rio Paraná (Maripá) e adquiriu a então Fazenda Britânia.

O latifúndio de mais de 270 mil hectares foi dividido em lotes de 10 e 20 alqueires paulistas, todos com acesso aos cursos d’água e ligados por estradas nas áreas mais altas, com menos riscos de erosão.

Para ocupar e cultivar a terra, a colonizadora enviou corretores às regiões mais povoadas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde colonos descendentes de imigrantes alemães e italianos dividiam pequenas áreas em terrenos acidentados, dificultando as atividades produtivas.

Todos ambicionavam espaços em áreas planas para desenvolver suas atividades produtivas, já com tradição e vocação para a mecanização da  agricultura, consorciação da lavoura à pecuária, diversificação da atividade e produção caseira de alimentos como banha, salame, lingüiça, morcilha,  cangica, leite, queijo, frutas, hortaliças e outros.

Instalados no Oeste do Paraná, onde a colonizadora abriu estradas, loteou áreas para vilarejos, com prédios de madeira para sediar hotéis improvisados, escolas, igrejas, postos de saúde e associações comunitárias, além de campos de futebol, estimulando a organização dos moradores.

Assim, o agronegócio se desenvolveu e a produção de suínos e aves atraiu grandes indústrias, como a então Sadia, que instalou em Toledo um dos maiores abatedouros- frigoríficos do País, incentivando ainda mais a diversificação e expansão da produção agropecuária.

Assim, apenas 70 anos depois da chegada dos primeiros colonizadores, Toledo é hoje um dos 20 maiores produtores agropecuários do País, ocupando a 1ª posição na suinocultura, com rebanho de 1.242.843 animais; 2ª posição em matrizes suínas, com 55 mil criadeiras; 4º lugar na  produção de tilápias, com 5,8 mil toneladas; 8º lugar de outros peixes, com 5.953 toneladas; 13º lugar em avicultura, com  8.320.864 frangos; e 14º lugar na produção de leite, com 100.667.000 litros anuais.

 

*O autor é deputado federal pelo Paraná

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