
Ao longo de 2025, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manteve atuação intensa nas discussões do Plano Safra 2025/2026, desde a fase de formulação até o anúncio oficial do programa. A bancada contestou números, apontou fragilidades no modelo de financiamento e apresentou propostas estruturais para garantir previsibilidade, crédito acessível e proteção ao produtor rural, em um cenário marcado por instabilidade climática, custos elevados e juros altos.

Para o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), o Plano Safra de 2025 foi construído em um contexto “extremamente desafiador”, especialmente pela elevação dos custos de produção, aumento do frete e incertezas quanto à equalização de juros. Segundo ele, o maior desafio é transformar o programa em uma política de Estado, livre de vieses ideológicos ou eleitorais. “Não é na prateleira do supermercado ou no porto de importação que se combate a inflação dos alimentos, mas apoiando quem produz”, afirmou.

Em abril, a FPA entregou oficialmente ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, uma proposta elaborada com contribuições das 59 entidades do Instituto Pensar Agro (IPA). O documento previa R$ 599 bilhões via Plano Safra, dentro de uma necessidade total estimada em R$ 1,3 trilhão para a agropecuária. A entrega foi feita pelo deputado Alceu Moreira (MDB-RS), coordenador institucional da FPA, que destacou o foco na segurança e na previsibilidade para o produtor rural. “Entregamos uma proposta sólida, construída a partir de dados reais e da realidade do setor”, afirmou Moreira.
Entre as principais demandas apresentadas estavam o aporte de R$ 25 bilhões para equalização de juros, a destinação de ao menos 1% do valor total do plano, cerca de R$ 5,99 bilhões, para a subvenção do seguro rural e a regulamentação de um Fundo de Catástrofe para enfrentar eventos climáticos extremos. A bancada também defendeu a adoção de uma política agrícola plurianual, inspirada na Farm Bill dos Estados Unidos, como forma de assegurar estabilidade orçamentária ao setor.
Esses pontos foram amplamente debatidos durante o Seminário Plano Safra 2025/2026, promovido pela FPA, que reuniu parlamentares, especialistas, lideranças do agro e representantes do mercado financeiro. No encontro, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA no Senado, e o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da FPA na Câmara, reforçaram a necessidade de diálogo, redução da burocracia e coerência entre o que é anunciado e o que efetivamente chega ao campo.
Tereza Cristina criticou a falta de prioridade orçamentária do governo para o setor produtivo, apontando problemas estruturais na gestão dos gastos públicos. “Mesmo arrecadando muito, o governo não prioriza o setor que mais impulsiona a economia. É preciso entregar um plano compatível com a importância do agro”, afirmou. Já Arnaldo Jardim defendeu medidas objetivas para reduzir entraves e tornar o Plano Safra mais efetivo. “O que apresentamos é fruto do diálogo com as entidades. Não são apenas reivindicações, são soluções concretas”, ressaltou.
Após o lançamento do Plano Safra pelo governo, com a previsão de R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, a FPA avaliou que o anúncio não refletiu apoio real ao setor. Segundo Lupion, apenas cerca de 22% do montante anunciado estava sob controle direto do governo, enquanto o restante dependia de recursos privados, ofertados a juros de mercado. “É um plano recorde no custo, não no apoio”, afirmou.
A bancada também criticou o impacto da Selic, fixada em 15% ao ano, sobre o crédito rural. Estimativas da FPA apontaram que os produtores poderiam arcar com um custo adicional entre R$ 54 bilhões e R$ 58 bilhões apenas em juros na safra 2025/2026. Outro ponto sensível foi a redução dos recursos para equalização de juros, que caíram de R$ 16,3 bilhões em 2024 para R$ 13,5 bilhões em 2025, sendo apenas R$ 3,9 bilhões destinados à agricultura empresarial.
A ausência de uma política robusta de seguro rural também esteve no centro das críticas da FPA. O tema sequer foi citado no lançamento oficial do Plano Safra, apesar de sua importância para a gestão de riscos climáticos e financeiros. Dados do Portal da Transparência indicam que, dos R$ 1 bilhão previstos no orçamento de 2025 para o seguro rural, apenas R$ 67 milhões haviam sido executados até então, pouco mais de 6% do total.

Para o deputado Sérgio Souza (MDB-PR), a atuação da bancada tem sido mais voltada a conter retrocessos do que a celebrar avanços. Segundo ele, enquanto o produtor “da porteira para dentro” segue fazendo sua parte, o governo reduziu o apoio ao setor, cortou recursos do seguro rural e elevou significativamente as taxas de juros. “Todos os dias, lutamos no Parlamento para restabelecer direitos do produtor rural e minimizar os efeitos de um governo que não está alinhado com a produção de alimentos”, afirmou.
Apesar de reconhecer ajustes pontuais, como o aumento do teto do Pronamp e melhorias em algumas linhas de investimento, a avaliação predominante da FPA é de que o Plano Safra 2025/2026 repete problemas estruturais de edições anteriores: anúncios volumosos, execução limitada, crédito caro e falta de previsibilidade.

O senador Jaime Bagattoli (PL-SC), 2º vice-presidente da FPA no Senado, reforçou que o governo ainda não reconheceu plenamente o papel estratégico do agro para o país. “O setor produtivo é a mola propulsora da economia brasileira. Falta segurança para quem trabalha e investe no campo”, concluiu.


