A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entregou à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) nesta quarta-feira, 11, a Agenda Legislativa 2026, em que indica os principais projetos que a entidade entende como sendo prioritários para o setor. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), comentou que essas demandas já estão em linha com o que a bancada vem trabalhando.
“As nossas prioridades são as mesmas. A gente tem essa participação direta das entidades junto ao IPA, o Instituto Pensar Agropecuária, que é quem nos pauta nessas demandas todas. A CNA é uma das principais coordenadoras do Instituto e as pautas são literalmente as mesmas”, disse.
No entanto, o parlamentar ressaltou que o momento é uma corrida contra o tempo, já que o entorno político de Brasília tem afetado o andamento das pautas. “O problema é que nós temos um ano eleitoral. Esses escândalos todos ocorrendo aqui em Brasília, a bagunça institucional que está no Brasil, trava os trabalhos aqui no Congresso. Vocês vejam esse mês de março, praticamente o mês perdido, em que as sessões presidenciais são escassas, justamente para fugir desses temas extremamente importantes”, acrescentou.
Ainda conforme Lupion, a frente já iniciou as articulações para avançar com as matérias no primeiro semestre, já que o segundo deve ter as atividades afetadas pelas eleições. “O nosso próximo passo já fizemos com o presidente [do Senado] Davi Alcolumbre, de mostrar a pauta e de exigir que a gente tenha esses projetos pautados rapidamente. Agora, teremos essa agenda com o presidente [da Câmara] Hugo Motta, para apresentar nossa pauta legislativa e, ainda no primeiro semestre, conseguir vencer algumas etapas”, destacou.
Agenda em dois eixos centrais
A vice-presidente da FPA no Senado e ex-ministra da Agricultura, senadora Tereza Cristina (PP-MS), esteve na sessão solene de apresentação da Agenda Legislativa da CNA, realizada no Plenário da Câmara dos Deputados. Segundo a parlamentar, o documento se estrutura em dois eixos centrais.
“O primeiro [eixo]: segurança jurídica, estabilidade do ambiente de negócios. E o ambiente de negócio é muito ruim no país. Nós vivemos num momento triste da página da política brasileira, das instituições brasileiras. E portanto, o ambiente de negócio não pode ser bom”, disse a senadora. Pautas legislativas relacionadas a direito de propriedade, relações trabalhistas, tributação, política agrícola, meio ambiente e recursos hídricos também estão dentro desse eixo.
Já no segundo macro núcleo de pautas estão projetos legislativos que tratam de competitividade e participação no mercado internacional. “Isso abrange infraestrutura, logísticas, relações internacionais, produção agropecuária, ciência e tecnologia”, completou.
Tereza Cristina ainda elencou alguns assuntos e matérias que perpassam por esses eixos. É o caso do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Ela defendeu que após a aprovação, o momento é de “formulação de políticas” para que o Brasil seja competitivo. Outro projeto também destacado por ela foi o Projeto de Lei 2.951 de 2024, que moderniza o Seguro Rural no Brasil — a matéria aguarda votação no Plenário da Câmara dos Deputados.
Outros parlamentares que compõem a FPA também estiveram presentes na sessão. O coordenador de Meio Ambiente da bancada, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), reforçou que a agenda da CNA será uma espécie de guia do parlamento. “Vamos usar essa Agenda Legislativa para pautar de verdade nossos trabalhos em 2026”, pontou.

Já o coordenador de Direito de Propriedade da FPA, deputado Evair de Melo (PP-ES), ressaltou o papel dos parlamentares que defendem o setor agropecuário. “Podemos não ser maioria na Câmara e no Senado, mas essa, às vezes minoria, levanta cedo, trabalha, se prepara, e está determinada a fazer aqui neste Plenário o enfrentamento necessário para que a nossa pauta e a nossa agenda possa permanecer”.
O presidente da CNA, João Martins, lembrou que o setor tem “capacidade de mobilização” e que isso deverá ser demonstrado nas eleições deste ano. A ideia é garantir com que as pautas do setor sigam com engajamento mesmo com uma renovação ou manutenção dos parlamentares.
“Eleição vem aí. Esquecem que cada um de nós, que está do Rio Grande do Sul até o Amapá, de alguma maneira, temos condições de influenciar votos, de ajudar aqueles que realmente trabalham, aqueles que realmente nos dão o apoio à nossa grande jornada, a heroica jornada do agro brasileiro”, enfatizou o chefe da entidade.
Geopolítica em destaque
Os parlamentares também comentaram sobre o cenário internacional, principalmente, sobre a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. O presidente da FPA disse que a questão do aumento dos preços do óleo diesel é um ponto de alerta para o setor. No entanto, o problema também encontra caminhos de solução internamente na agropecuária brasileira, com a produção de biocombustíveis.
“A solução de tudo isso está no nosso agro em que a gente consegue fazer toda e qualquer biomassa virar combustível”, disse Lupion no discurso de abertura da sessão solene.
Já a senadora Tereza Cristina afirmou que geopolítica e a geoeconomia são assuntos que “vão estar na nossa mesa todos os dias”. Ela ainda destacou que o quadro internacional de hoje não afeta apenas o diesel, mas chega em outros aspectos como os fertilizantes nitrogenados, vindos em grande parte do exterior, e o próprio comércio de milho para o Irã — maior comprador da commodity brasileira, com mais de 9 milhões de toneladas embarcadas em 2025, de acordo com dados da plataforma Agrostat do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
“Isso é custo de produção que vai aumentar e nós temos hoje preços muito baixos das nossas commodities. Então, o custo não vai fechar”, disse a ex-ministra da Agricultura.



