Desastres naturais e o agronegócio brasileiro



Dilceu Sperafico*

Os prejuízos causados pelos desastres naturais, entre os quais  vendavais, enchentes, tempestades de granizo e secas, são cada vez maiores e mais preocupantes, pois têm como principais vítimas pessoas de baixa renda.

Conforme relatório do Banco Mundial, divulgado no final do ano  passado, as tragédias da natureza já causam perdas de 300 bilhões de dólares e colocam 26 milhões de pessoas na miséria, em todo o planeta, a cada ano.

Por isso, como destacamos em diversas oportunidades, insistimos  que o agricultor é o principal interessado no equilíbrio ambiental, pois exercendo atividades econômicas a céu aberto, é o primeiro a sofrer perdas com as adversidades climáticas.

Não por acaso, portanto, o produtor rural brasileiro jamais deixou de acatar exigências legais e investir recursos próprios na preservação, ampliação ou reposição de matas ciliares e reservas florestais em suas propriedades.

Conforme o documento, os impactos humanos e econômicos dos fenômenos meteorológicos extremos, agravados pelas mudanças climáticas, estão se tornando cada vez mais devastadores do que se pensava, na medida em que seus danos não mais se resumem às perdas materiais.

Na avaliação de especialistas, os eventos climáticos de maior porte muitas vezes anulam décadas de avanços na luta contra a pobreza. Isso porque as tempestades, inundações e estiagens prolongadas, têm sempre graves conseqüências humanas, além dos prejuízos econômicos.

Na prática, são as pessoas mais pobres que acabam pagando, muitas vezes, o preço mais elevado das tragédias climáticas. Prova disso é que nas áreas urbanas as enchentes alagam e destroem as moradias localizadas nas margens de cursos d’água ou em declives acentuados, sem a localização, proteção e resistência de edificações mais sofisticadas.

Na agropecuária acontece algo semelhante, pois são os pequenos produtores que sempre acabam perdendo mais com as adversidades climáticas, pela pequena dimensão de suas áreas de cultivo e precariedade de instalações destinadas ao abrigo de criações de animais, além de não contarem com a alternativa do seguro.

Diante dessa realidade, os especialistas afirmam que investir na prevenção aos desastres climáticos, através da educação ambiental, reforço de edificações, transferência de moradias de áreas de risco e medidas similares, não só fazem sentido apenas no aspecto econômico, pois se tratam de imperativo moral da atualidade, num planeta que sofre cada vez maiores e graves instabilidades e tragédias climáticas.

O relatório do Banco Mundial igualmente destacou o peso desigual de desastres naturais sobre as pessoas de baixa renda, considerando que as perdas patrimoniais e de bem-estar são diferentes entre as categorias sociais, já que prejuízos estimados em determinado valor monetário não sãos os mesmos para pessoas rica e pobres.

Conforme o documento, para nossa ainda maior preocupação, a América Latina e o Caribe estão entre as regiões do mundo mais prejudicadas pelas inundações e secas severas provocadas pelas mudanças climáticas, com perdas materiais causadas por esses fenômenos de 84 bilhões de dólares por ano.

Para o Brasil e os brasileiros, que dependem do desempenho do agronegócio para o desenvolvimento econômico e estabilidade social, as revelações e alertas do banco Mundial são mais do que oportunas, pois se os produtores rurais já fazem a sua parte, precisamos cobrar atitudes semelhantes de moradores urbanos.

*O autor é deputado federal pelo Paraná

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