Projeto une agricultores e apicultores contra a mortandade de abelhas



Uma iniciativa desenvolvida no interior de São Paulo está unindo agricultores e apicultores para estudar e evitar a mortandade de abelhas. As abelhas são responsáveis pela polinização de 73% das plantas utilizadas de forma direta ou indireta na alimentação humana. Nos últimos anos, o uso de defensivos agrícolas tem sido apontado como responsável por um alto índice de mortes do inseto.

O projeto Colmeia Viva – Mapeamento de Abelhas Participativo é uma ação do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), com apoio da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), e participação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). Participam da pesquisa dez produtores e a Usina São João, em Araras.

Relação Harmônica – O objetivo é conscientizar sobre a importância da relação harmônica entre agricultores e produtores de mel. Afinal, ambos dependem das abelhas para sobreviver. Entre outras medidas, os apicultores são orientados a colaborar na informação sobre a localização das colmeias. Eles também devem comunicar a equipe do projeto quando perceberem mortandade de abelhas acima do normal. Aos agricultores cabe adotar uma série de boas práticas, que incluem avisar aos apicultores com três dias de antecedência quando houver aplicações aéreas de defensivos agrícolas em suas lavouras. Alertados, os produtores de mel devem proteger as suas colmeias.

Segundo o professor Osmar Malaspina, do Centro de Estudos de Insetos Sociais do Departamento de Biologia da Unesp de Rio Claro, o resultado até agora é a redução a zero da mortandade de abelhas, quando utilizadas as boas práticas da pulverização aérea de defensivos, que é a tecnologia utilizada para as aplicações foco estudo. A pulverização aérea costuma ser condenada como a vilã pela mortandade de abelhas, o que está sendo desmistificado pelo estudo.

Segundo Malaspina, “os resultados do primeiro ano do projeto de coexistência, aliando proteção, produtividade e desenvolvimento sustentável entre agricultura e apicultura demonstram que as práticas são conduzidas dentro dos preceitos de boas práticas”. Segundo ele, “as atividades podem ocorrer harmonicamente, fato corroborado pelo histórico de mortalidade de abelhas nas áreas de domínio da Usina São João, em Araras, antes da implementação do projeto e um ano após a implementação, quando a mortalidade em decorrência do uso inadequado de produtos fitossanitários foi reduzida a zero”.

A coordenadora de Assuntos Regulatórios – Polinizadores do Sindiveg, Paula Arigoni, destaca que o objetivo junto aos agricultores é destacar a importância das abelhas na polinização e na manutenção da biodiversidade, apontando para as responsabilidades de todos por uma convivência harmônica.

Além do resultado imediato, a longo prazo o projeto terá como consequência um mapeamento inédito dos fatores que contribuem para a perda das abelhas, além de uma relação mais produtiva entre agricultores e apicultores.

Lâminas, fôlderes e cartazes com informações importantes selecionadas pela indústria de defensivos estão sendo distribuídos nacionalmente, levando a informação ao maior número de pessoas possível. Essa, dentre outras ações que estão sendo promovidas, refletem a preocupação do setor de defensivos agrícolas com a saúde e preservação das abelhas e a coexistência entre agricultura e apicultura.

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