O cultivo de transgênicos e os males do efeito estufa



Dilceu Sperafico*

O cultivo de transgênicos é mais uma comprovação de que o agricultor é o principal e primeiro interessado na preservação dos recursos naturais, pelo simples fato de exercer atividade econômica a céu aberto e a mercê de todas as adversidades climáticas, como estiagens, enchentes, vendavais e temporais de granizo, entre outras.

Prova disso é a constatação de que o plantio de organismos geneticamente modificados, além de reduzir a aplicação de defensivos químicos nas lavouras, hortas e pomares, colabora para a redução do temido aquecimento global.

Conforme estudo de cientistas da Universidade de Purdue, de Indiana, dos Estados Unidos, a proibição ou suspensão do uso de variedades transgênicas na agricultura mundial, resultaria no aumento da emissão de gases de efeito estufa na atmosfera terrestre.

Os especialistas justificam a afirmativa com o fato de que o abandono de transgênicos exigiria a compensação da perda de produtividade destas culturas, com ampliação significativa da área cultivada, resultando no aumento do desmatamento em todo o planeta e da inflação nos preços dos alimentos no mercado internacional.

Os cientistas responsáveis pelo estudo resolveram simular as conseqüências econômicas e ambientais de eventual proibição legal do cultivo de organismos geneticamente modificados.

Ao longo da pesquisa, os especialistas analisaram dados conhecidos sobre a transgenia e compararam a colheita de culturas convencionais com o resultado de sementes transgênicas, projetando em seguida efeitos concretos da mudança na economia e no meio ambiente.

Conforme os pesquisadores, já em 2014 cerca de 18 milhões de agricultores empresariais e familiares, de 28 países, cultivavam mais de 180 milhões de hectares com sementes transgênicas.

Se todas estas plantações fossem substituídas por variedades convencionais, a produção de algodão seria reduzida em 18.6%, a de milho em 11, 2% e a de soja em 5,2%, na melhor das hipóteses, ou seja, sem perdas causadas pelo clima adverso ou ataques de doenças e pragas.

Para compensar a perda da colheita e manter o abastecimento destes produtos, o cultivo teria de ser ampliado em mais de 100 mil hectares somente nos Estados Unidos e cerca de 1,1 milhão de hectares em todo o  mundo, o que resultaria no desmatamento proporcional.

A redução de matas nativas ou área florestal teria como conseqüência imediata o aumento das emissões de gases de efeito estufa, além da elevação generalizada dos preços dos alimentos, penalizando os consumidores de menor renda.

O estudo dos especialistas concluiu que na hipótese da suspensão do plantio de transgênicos o preço do milho aumentaria em 28% e o da soja em 22%, o que seria traduzido em inflação anual de 1% a 2% no custo da alimentação, encarecendo entre 14 e 24 bilhões de dólares o gasto com comida apenas nos Estados Unidos.

Nos países mais pobres ou em desenvolvimento, os efeitos dessa situação seriam ainda mais contundentes, especialmente entre agricultores familiares, trabalhadores rurais e consumidores de baixa renda, pois todos teriam dificuldades ainda maiores para a comercialização e/ou aquisição de alimentos básicos.

Tais possibilidades indicam a importância da fundamentação acadêmica ou de estudos científicos, nas manifestações contrárias às culturas transgênicas, pois se realmente representassem prejuízos ou riscos para a população, jamais teriam o apoio da pesquisa universitária.

*O autor é deputado federal pelo Paraná

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