Decisão sobre pedido de impeachment será influenciada por aspectos jurídico e político, diz Marcos Montes



Reeleito em 2014 para seu terceiro mandato de deputado federal (2015/2018), majoritário em 24 cidades mineiras, inclusive em Uberaba, onde foi prefeito em duas gestões, o médico e professor licenciado da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), com especialização em Medicina do Trabalho, Medicina Intensivista  e Anestesiologia, e produtor rural Marcos Montes vive momentos especiais na sua trajetória política.

Acaba de ser indicado pela liderança do Partido Social Democrático (PSD) na Câmara para ocupar uma das quatro vagas de titular a que a legenda teve direito na comissão que analisa o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O PSD tem hoje, 34 deputados federais. O líder, Rogério Rosso (DF), foi eleito presidente da comissão do impeachment e se licenciou da liderança para centrar suas atenções no processo. Não é a primeira missão com visibilidade que Marcos Montes assume

Ele é presidente do colegiado mais atuante do Congresso – a Frente Parlamentar Mista da Agropecuária (FPA), cargo conquistado através do voto dos deputados federais e senadores que integram a entidade. Seu mandato na FPA vai até o final de 2016. Também presidiu a polêmica comissão que analisou e deu parecer nos projetos que mudam o estatuto do desarmamento. Conseguiu que a comissão, engavetada há anos, tivesse início, meio e fim – como diz ele. Questionado sobre seu futuro político, deixa o assunto pra Deus resolver. Confira a íntegra da entrevista exclusiva.

JORNAL DE UBERABA – Uma das notícias mais importantes do momento histórico por que passa o Brasil é, sem dúvida, o início do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), através da aprovação e instalação da comissão especial que vai analisar o pedido na Câmara dos Deputados. E o senhor está bem no centro da fogueira, já que foi indicado titular da comissão pela liderança do PSD na Câmara. O que vai prevalecer: a base jurídica do pedido ou o posicionamento político dos deputados?

MARCOS MONTES – Acho que as duas coisas. O posicionamento político terá influência sim, mas baseado no aspecto jurídico. Nem precisa ser advogado ou especialista em Direito para reconhecer as motivações jurídicas que embasam o processo de impeachment da atual presidente da República.

JU – Por exemplo…

MM – A justificativa do pedido apresentado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal já é, por si só, consistente. Eles acusam a presidente de ter cometido crime de responsabilidade, autorizando ao longo de 2014 e 2015, a abertura de créditos orçamentários incompatíveis com a meta de resultado primário prevista nas leis de diretrizes orçamentárias. Entretanto, o pedido ganhou força nos últimos tempos com as delações premiadas da Operação Lava Jato, principalmente a do senador Delcídio do Amaral, que era do PT, líder do governo no Senado e homem de confiança da presidente e do seu antecessor, o Lula. As deleções apontam que os dois sabiam da roubalheira na Petrobras e que recursos provenientes desta roubalheira foram parar na campanha da presidente. E não bastasse isso, as gravações feitas por determinação da Justiça Federal na Operação Lava Jato pegaram a presidente e seu antecessor no flagra.

JU – E por falar nos grampos e gravações das conversas do ex-presidente Lula, investigado na Lava Jato, o que mais chamou a atenção do senhor até agora?

MM – Tudo. É tudo chocante! Cada gravação divulgada é um novo tapa na cara, uma nova afronta ao povo brasileiro. Por mais que eu tivesse uma péssima imagem do ex-presidente, admito que as gravações conseguiram me surpreender. Ele expôs, finalmente, sem meios-termos, a sua verdadeira personalidade, a falta de respeito e a insensibilidade para com o povo, e para com as instituições brasileiras.

JU – O senhor considera que os ataques do ex-presidente ao Poder Judiciário, ao Ministério Público e à Polícia Federal, conforme gravados e divulgados, podem enfraquecer as instituições perante a opinião popular?

MM – Definitivamente, não! A presença de mais de seis milhões de brasileiros nas ruas, dia 13 de março, e as pesquisas recentes, entre elas, do DataFolha, comprovam que a população está indignada com o governo Dilma Rousseff, com seu antecessor e com o PT – partido que tem os dois de principais filiados. O povo manifestou apoio ao Judiciário, ao Ministério Público, à Polícia Federal, enfim, saiu em defesa das instituições brasileiras, da democracia e do estado de direito. O povo quer ética na política e sabe que isso só será possível com nossas instituições fortalecidas.

JU – O senhor acha que as manifestações populares podem fazer a diferença no processo de impeachment?

MM – Com certeza. Não tenho dúvida de que a voz das ruas fará a diferença no Congresso Nacional.

JU – O senhor faz parte de uma legenda que integra a base aliada da presidente Dilma Roussef, inclusive com um dos ministérios mais importantes (das Cidades ) sob o comando do fundador e principal líder do partido, Gilberto Kassab. Sua posição favorável ao impeachment não provoca problemas internos no PSD?

MM – Tenho a honra e alegria de fazer parte de um partido criado e mantido à base da democracia, do respeito às diferenças de opiniões e da transparência. Pode até parecer exagero ou conto de fadas, mas, por incrível que pareça, é real. Nunca escondi minhas posições contrárias ao PT e seus governos e isso sempre foi respeitado pelos companheiros que têm opinião diferente.  Maior prova disso é minha indicação para a comissão do impeachment. O líder do PSD na Câmara, Rogério Rosso, que acabou sendo eleito para presidir a comissão, não pestanejou em me indicar. Quis que o partido fosse representado em suas diferenças. Lembro que nas eleições gerais de 2014, o Kassab liberou os parlamentares do PSD mineiro para apoiarem os candidatos de Minas Gerais – os ex-governadores Antonio Anastasia, a senador, e Aécio Neves, a presidente da República. Não tenho dúvida de que o PSD está fazendo história e se tornará o maior partido do Brasil – em quantidade e qualidade.

JU – O senhor tem feito campanha para o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba voltar a disputar eleições majoritárias em 2018 – leia-se governador, vice-governador e senador. O senhor tem pretensões de disputar algum destes cargos?

MM – O futuro a Deus pertence. Por enquanto, minhas pretensões são de concluir as missões que me foram confiadas.

JU – O senhor concorda que está vivendo um momento especial na sua trajetória política? Afinal, foi eleito para presidir a polêmica comissão que analisou as mudanças no estatuto do desarmamento, foi eleito para comandar um dos colegiados mais importantes do Congresso – a Frente parlamentar Mista da Agropecuária (FPA), e agora é indicado titular da comissão do impeachment…

MM – Não posso negar que estou sim, vivendo momentos importantes na minha trajetória política, e fico feliz que isso seja fruto, única e exclusivamente do meu trabalho, das ações do meu mandato, do meu compromisso com o Brasil. Espero concluir todas as missões com a consciência do dever cumprido, assim como aconteceu com a comissão do estatuto do desarmamento. Independentemente do resultado na comissão e do resultado que virá em plenário, tenho consciência de que cumpri a missão que recebi: que era a de fazer com que a comissão, depois de anos engavetada, finalmente tivesse início, meio e fim.

JU – O que o senhor espera alcançar na presidência da FPA, cujo mandato ainda vai até o final de 2016?

MM – Não tenho dúvida de que já alcançamos avanços importantes – obviamente com a participação dos companheiros de diretoria, dos associados, dos parceiros. Parte da imprensa, em particular, e da população brasileira, que discriminava a agropecuária por razões ideológicas ultrapassadas e sofistas, passou a enxergar o setor com outros olhos. Conseguimos mostrar que a agropecuária é o segmento que segura as pontas da economia brasileira; que dá empregos aos milhares; que produz o alimento que vai à mesa dos moradores do campo e da cidade; que não se restringe aos grandes fazendeiros, mas que abrange trabalhadores (patrões e empregados) que lutam e sofrem como qualquer trabalhador deste país. Ao final do meu mandato à frente da FPA, espero ver tudo isso ainda mais intensificado, e claro: comemorar tempos melhores para os brasileiros do campo e da cidade.

 

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