Seminário da FPA debate crise hídrica



A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) promove nesta quinta-feira, dia 26, entre 14 e 18h, no auditório Freitas Nobre da Câmara Federal, um seminário, com o seguinte tema: Agricultura e a crise hídrica. Agricultura é problema ou solução? O objetivo do evento é ampliar as discussões sobre o uso da água diante da crise hídrica vivida no Brasil e chamar a atenção do Congresso Nacional, do Executivo e instigar a participação população para esse grave fenômeno. A iniciativa da FPA se insere no contexto das comemorações do Dia Internacional da Água, 22 de março, e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, os ODM.

Para a área técnica da FPA, a ideia desse encontro é despolitizar e desideologizar o debate, analisar o assunto sob o prisma da sustentabilidade, buscar novas soluções para o crescente problema hídrico e promover mecanismos para gestão integrada dos recursos naturais, pois há muita falácia e informações distorcidas veiculadas por organismos nacionais e internacionais.  A intensão é mergulhar nos profundos dilemas da água, pois sendo a água indispensável à vida é um direito da humanidade, assim como a produção de alimentos para saciar a fome de mais de sete bilhões de habitantes do planeta.

Questionamentos -“O que já se sabe é que os investimentos em infraestrutura hídrica continuam insuficientes, o que é preocupante diante da perspectiva para a próxima década de maior escassez hídrica decorrente do aumento populacional e a crescente demanda por alimentos”, alerta Gustavo Carneiro, coordenador técnico da FPA e organizador do seminário. Segundo Carneiro, os questionamentos que se colocam são estes: que soluções propor para essa crise hídrica e que mecanismos imediatos podem-se oferecer. É preciso envolver a classe política e mobilizar a sociedade para essa complexa realidade.

A demanda por alimentos faz da agropecuária uma grande consumidora de água. Dados da ONU mostram que 70% do consumo de água no mundo é destinado às atividades agropecuárias, 20% para indústrias e apenas 10% para abastecimento humano. O Relatório Global sobre Desenvolvimento e Água da entidade indica que 12% das reservas de água doce do mundo estão no Brasil, 70% da água potável brasileira concentram-se na região Amazônica e menos de 5% no Nordeste, onde são recorrentes vidas secas e situação de flagelo dos moradores desta região.

O consumo de água pelas atividades da agropecuária exige, porém, uma explicação: o maior volume desses 70% consumidos pela agropecuária retorna ao meio ambiente. Esse fato muitos organismos escondem. Grande parte desses 70% infiltra no solo para abastecer os lençóis freáticos, outra sobe para as nuvens descendo depois em forma de chuva e outra quantidade fica contida nos alimentos. Culpar, pois,  o setor produtivo rural por essa crise hídrica, no mínimo, é uma atitude hipócrita; transformar o produtor rural em vilão dessa situação é, na verdade, uma postura pérfida, própria dos que recebem financiamentos dos concorrentes do agronegócio para denegrir a imagem do setor mais exitoso da economia brasileira.

São conferencistas Antonio Divino de Moura, diretor do Inmet, que falará sobre “A Crise da Oferta de Água, e Orivaldo Brunini, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que discorrerá sobre “Agricultura e o Consumo de Água”. A conferência da chefe do Centro de Qualidade de Hortaliças da Ceagesp, Anita Gutierrez, versará sobre “O Impacto da Crise Hídrica nos Custos dos Alimentos”. O último palestrante será  Ewandro Moreira, da Agência Nacional de Águas, com o tema “Exemplos Bem Sucedidos de Produção de Água”.

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