Agronegócio de Mato Grosso aguarda conclusão da BR-163 há quatro décadas; seis presidentes prometeram



Para cada mês de adiamento da conclusão do asfaltamento da BR-163 até Santarém, no Pará, Mato Grosso perde cerca de R$ 20 milhões até R$ 30 milhões em competitividade com os produtores de outras regiões do país. E, mesmo que seja concluída em 2016, conforme promessa da presidenta Dilma Rousseff (PT) e do ministro dos Transportes Antônio Carlos Rodrigues (PR) já não irá mais comportar sequer a produção de Sorriso e Lucas do Rio Verde, por exemplo.

A projeção do presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), Ricardo Tomczyk, é de que Mato Grosso vai passar por um novo ‘boom’ de desenvolvimento quando equacionar a questão da logística. “É uma questão crucial, que há anos emperra o desenvolvimento de toda uma região”, obervou ele, para a reportagem do Olhar Direto/Agro Olhar

Ricardo Tomczyk lamentou que, desde 1975, quando o então presidente Ernesto Geisel inaugurou a primeira fase da BR-163, espera-se por sua conclusão. “Já se passaram inúmeros presidentes. Indistintamente, todos prometeram sua conclusão. Espera-se que, agora, seja pra valer”, emendou o presidente da Aprosoja.

Depois de Geisel, prometeram concluir a BR-163 os presidentes João Figueiredo (1979-85), José Sarney (1985-90), Fernando Collor (1990-93), Itamar Franco (1993-94), Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Luiz Inácio Lula (2003-10) e, agora, Dilma.

Dilma tinha prometido terminar a obra em 2012. Depois, 2015. Agora, o ministro Antônio Carlos Rodrigues falou em novo adiamento da conclusão das obras do importante corredor de escoamento de produtos agrícolas pelo Norte do país.

O asfaltamento total da rodovia é uma promessa antiga, e a data de sua conclusão vem sendo sucessivamente postergada. Após várias paralisações, o trabalho de pavimentação está em andamento há cerca de seis anos.

Mato Grosso contribui decisivamente para a safra 2014/15 atingir um recorde de mais de 200 milhões de toneladas. Mas o gargalo da logística coloca em risco o lucro dos produtores rurais. Enquanto a rodovia não é finalizada, medidas paliativas estão previstas.

Entre as ações planejadas pelo governo para a safra 2014/15, está a colocação de cascalho para amenizar os atoleiros na BR-163 e em outras rodovias não pavimentadas do país. A BR-163 é uma peça fundamental da nova rota de escoamento de grãos ligando o Note de Mato Grosso – maior produtor do país – às hidrovias e portos na região do Pará.

Em maio do ano passado, a multinacional Bunge inaugurou a rota, que inclui um terminal fluvial no município de Itaituba (PA), às margens da BR-163, onde os grãos são transferidos para barcaças que seguem pelos rios Tapajós e Amazonas até um porto exportador em Barcarena (PA).

A primeira a se aventurar no eixo rodoviário foi a norte-americana Cargill, que em 2003 instalou um terminal para navios em Santarém (PA), exatamente na ponta final da BR-163, atenta à promessa do governo federal de concluir rapidamente o asfaltamento da rodovia.

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