Seriam eles do exército de Stédile?



Dois eventos ocorridos hoje (5/3) pela manhã, um no interior paulista, e outro em Brasília, repercutiram negativamente no seio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), esta entidade suprapartidária e defensora do setor produtivo de alimentos, bem assim entre as entidades representativas do mundo rural brasileiro. Tais fatos são por demais preocupantes, eis que agressivos e violentos contra o setor mais exitoso da nossa economia e que ano após ano vem batendo recorde e mais recorde de produção e produtividade, o que, vale realçar, vem incomodando os nossos concorrentes pelo mundo afora. São fatos geograficamente distantes, mas ideologicamente bem próximos.

Em Itapetininga, um centro de pesquisa da empresa  FuturaGene Brasil Tecnologia, da Suzano Papel e Celulose, foi invadido por representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e militantes de movimentos ditos sociais do campo e da cidade. Na capital da República, uns 300 camponeses, em sua totalidade mulheres, organizados pela Via Campesina, entraram à força numa reunião da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) que analisava a liberação de três novas variedades de plantas transgênicas no Brasil: o milho resistente ao 2,4-D e haloxifape, além do eucalipto transgênico. Conseguiram interromper e adiar a reunião.

Durante as “ocupações” em São Paulo as ativistas se vangloriavam de ter destruídos muitos viveiros de mudas em desenvolvimento de eucalipto modificado, variedade que terá maior produtividade e será plantado para atender a indústria moveleira, hoje carente desse insumo.

Segundo os ativistas, muitos deles vinculados a células ambientalistas, essas ações fazem parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas que exigiam a retirada de qualquer pedido de liberação comercial do eucalipto transgênico protocolada e pautada na CTNBio. Pobres em argumentos, apresentavam-se com dizeres, colhidos e pincelados não se sabe de onde, em confronto com as posições de professores,  estudiosos e acadêmicos de notório conhecimento e saber científico. É bom que se registre que os membros da CTNBio são oriundos de agremiações e institutos científicos e muito bem avaliados e conceituados pela sociedade brasileira.

Uma dessas invasoras, identificada como Atiliana Brunetto, integrante da direção nacional do MST, “do alto do seu notório saber”, procurava mostrar que o histórico das decisões da Comissão atenta à legislação brasileira e à Convenção da Biodiversidade do qual o Brasil é signatário. Segundo essa militante, “o princípio da precaução é sempre ignorado pela CTNBio. A grande maioria de seus integrantes se colocam em favor dos interesses empresariais das grandes multinacionais, em detrimento das consequências ambientais, sociais e de saúde pública”. E partir daí passa a nos dar lições sobre agrotóxicos na agricultura, etc, etc. Como se vê, recorre aos arcaicos argumentos da década de 60 e 70 muito comuns naquela época nos campi universitários.

Sobre esse assunto (uso de agroquímicos), foi promovido em Brasília, no final de janeiro deste ano, na sede da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), um encontro denominado “Frutas, legumes e verduras – alimentação saudável e segura. A ciência e a má comunicação, como resolver?”  Foram debatidos vários temas envolvendo os conflitos entre órgãos como a Anvisa, Ministério Público, Meio Ambiente, Agricultura e outros sobre registro, produção e aplicação de agroquímicos no cultivo de hortifrutigranjeiros.

Um dos expositores do evento demonstrou, com base em estudos e pesquisas, que não há risco na ingestão de frutas e verduras e que a ciência já comprovou que consumir esses alimentos produzidos no Brasil é saudável e seguro para a saúde. Os dados apresentados pelo Programa de Monitoramento de Agrotóxicos corroboram que os resíduos encontrados em frutas e vegetais estão em níveis que não representam risco para a saúde dos consumidores. Além disso, a própria Anvisa reconhece que consumir tais alimentos, tradicionais ou orgânicos, são extremamente benéficos para a saúde humana. Quais dúvidas, então?

É conveniente que se diga: até 2030 mais de nove bilhões de pessoas vão habitar o planeta e precisarão comer todos os dias. Preocupada com isso, em 2013, foi lançada mundialmente pela FAO a seguinte campanha: “Comam insetos!”. Essa recomendação é para combater o problema de escassez de alimentos e de fontes de proteína animal. Não importa se são venenosos ou contenham outras substâncias tóxicas. Contudo, nossa preocupação é não sobrar vespas, abelhas, grilos, cupim, percevejos, gafanhotos e escorpiões para todos. Hoje em dia são quase um milhão de famintos no mundo. Um alerta! No Brasil, atacar esses insetos é crime ambiental, de acordo com a recente Portaria nº 444 do Ministério do Meio Ambiente.

Diante de tal cenário, a pergunta que não quer calar: esses ativistas, ecologistas e gente que tais, estariam preocupados com tantas criaturas famélicas? Seriam eles insensatos? Seriam eles “soldados” do exército de Stédile? Deus não criaria seres dotados das sementes da inteligência para serem beócios? Criaria? Se sim, só nos resta implorar aos céus e clamar: Senhor, tende piedade de nós, que plantamos e colhemos alimentos, chova ou faça sol, para saciar a fome dos filhos Teus! Nós, Senhor, seguimos teus ensinamentos, que é  produzir comida para quem tem fome, apesar dos fariseus que fazem de tudo para nos transformar em vilões e sempre culpados de alguma coisa.

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